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Archive for the ‘Crônicas em família’ Category

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Hoje eu sinto que cresci bastante

Hoje eu sinto que estou muito grande

Sinto mesmo que sou um gigante

Do tamanho de um elefante

É que hoje é meu aniversário

E quando chega meu aniversário

Eu me sinto bem maior

Bem maior

Bem maior

Bem maior do que eu era antes.

(Paulo Tatit – Zé Tatit)

Acordar, no dia do seu aniversário, com seu filho cantando a música acima pra você: não tem preço.

E que venham, no mínimo, mais 27 anos tão felizes quanto os que vivi até agora!

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Democracioa Corinthiana

Muitos dizem que são corinthians desde pequeninos.

Invejo, mas admito: comigo não foi assim.

Cresci na casa dos meus avós. Uma família grande, com muitas influências. A escolha que delinearia minha opção futebolística era apenas uma questão de tempo (e afeto). Meu padrinho, são paulino fanático, conseguiu me cativar além da conta e, o resultado disso, vocês já podem imaginar qual foi.

Me considerava são paulina, para a tristeza do meu avô, corithiano de corpo, alma e coração. Mas, no meu ponto de vista, era apenas mais uma lacuna preenchida. Não ligava muito para futebol. Aos 11 anos fui assistir o meu primeiro jogo, no morumbi.

Não lembro contra quem era, mas sei que o São Paulo ganhou a partida. Sei disso pois sentia um desânimo ridículo ao ver o comportamento da torcida durante os 90 minutos de jogo. Embaixo de uma chuva absurda, repetia para o meu padrinho:

Cadê a torcida pulando? E os tambores, os batuques, fumaça? Tá todo mundo parado!!!

Poxa, o time estava ganhando e apenas um amontoado de pessoas isoladas em um canto do estádio entoavam um grito.

A arquibancada se esvaziou por conta da chuva. E eu ali, odiando tudo aquilo. Não era como eu imaginava!

GaviõesAgora, o ano era 97 e eu tinha 15 anos. O pai de um amigo conseguiu ingressos para o jogo do Corinthians x Vasco, no Pacaembú. Sempre achei a Fiel a torcida mais bacana, animada e cativante de todas. Fui para conferi-la ao vivo, mais do que o próprio jogo.

Era uma noite fria de Julho e a lua estava maravilhosa naquele dia. Conferi o vestuário (não usar nada verde, nada decotado, nada curto) peguei minha mochila e fui eu pro estádio. Faltavam uns 30 minutos pro jogo começar e já ouvia a torcida, em pleno vapor, do lado de fora. Passei pela catraca e entrei na arquibancada.

Me arrepiei da cabeça aos pés. Naquele momento senti que, de alguma forma, aquilo fazia parte de mim.

Gritei com a torcida, abracei gente que mal conhecia. Xinguei, pulei, vibrei. A adrenalina era tamanha que mal sentia meu corpo. Com a alma lavada, voltei pra casa. Suada, dei um beijo no meu avô e disse: “nasceu uma corinthiana naquele estádio, seu Gil.”

Depois disso vieram outros jogos. Com eles, os choros, de alegria, de tristeza. As velas pra São Jorge, as estátuas de São Jorge. As bandeiras, de 4 x 4 metros, entuchadas no carro. As comemorações na Avenida Paulista, na Avenida Braz Leme.

Muita gente fala que é exagero. Outros dizem que é baixaria, coisa de maloqueiro.

Mas só quem é sabe, sente, transborda, transpira…a alegria e emoção de ser corinthiano.

Abaixo, dois vídeos de um dos campeonatos mais emocionantes que assisti, com uma final de tirar o fôlego e voz de qualquer torcedor:

Parabéns timão pelos 99 anos de história.


PS: sim, eu chorei ao escrever isto tudo.

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Não é gostoso quando você ganha alguma coisa do nada?

Lembro-me de um período no qual uma famosa rede de restaurantes fazia ações promocionais com as sobremesas do cardápio. Funcionava assim: você pedia, por exemplo, um frozen yogurt. Se, no meio dele, você encontrasse uma asinha (símbolo da rede) levava na hora diversos brindes, de camisetas até um jantar grátis.

Lá em 2004, durante um almoço com amigas, decidi pedir uma sobremesa. Dentro dela, para minha sorte, veio uma asinha premiada (que quase comi, pois era uma espécie de bolacha). Entreguei ao garçom a bolacha meio molenga e babada e em troca recebi um cartão de papel, que dava direito a um jantar de graça para mim e um acompanhante (era o que estava escrito em letras grandes, bem no meio do cartão).

Não demorei 4 dias para retornar ao estabelecimento e curtir meu prêmio. Tivemos que ir durante a semana, pois o garçom havia me alertado que a promoção era válida apenas de segunda à quinta-feira. Cheguei ao local, acompanhada do meu marido (namorado, na época), apresentei o cartão ao garçom, que foi logo me alertando:

Esse cartão é válido somente para o prato e sobremesa. Não estão inclusos bebidas, couvert e os 10%

Fiquei fula da vida. Perguntei então o porquê de estar escrito: “vale 1 jantar” no cartão e não “vale 1 prato e sobremesa”. Ele virou o cartão e me mostrou, em letras minúsculas, o que havia acabado de dizer.

Naquele dia fui devidamente apresentada as famosas ressalvas da promoção.

Nestas férias de julho fui com meu marido e amigos na inauguração do The Fifties do Shopping Pátio Paulista. Estavam anunciando que os 1000 primeiros clientes do dia ganhariam de brinde um retorno de graça ao restaurante. O infame jantar de 2004 me veio a cabeça e pensei: “isso é mais do mesmo.”

Na saída do restaurante recebemos uma caixinha azul. Dentro dela vinha um chaveirinho e um cartão com uma mensagem bacana, como vocês verão abaixo:

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Emocionada, mas desconfiada de tanta esmola dada pelo santo, procurei por asteriscos no cartão, com a famosa “ressalva da promoção” (válido de tal dia a tal dia, apenas no horário x, prato y, blábláblá) assegurando então de que se tratava de outra promoembromation:

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Como podem ver, nada de ressalva, nem de asterisco.

Neste fim de semana voltei ao estabelecimento com a família, meio incrédula, para usar o cartão. Mostrei o giftcard e perguntei o que estava incluso (talvez valesse um trio hambúrguer, batata e coca). Ele deu um sorriso e respondeu:

Tudo, senhora. Hoje é por nossa conta!

Tudo. Tudo MESMO: milkshake, batatas fritas, saladas, onion rings, sanduíches e sobremesas à vontade!! Saímos de lá praticamente rolando, sem gastar um real e muito satisfeitos, tanto com a comida quanto com o atendimento que nos foi prestado.

Obrigada, The Fifties. Não pela quantidade de comida saborosa que ingeri, mas por terem cumprido a risca o que prometeram. Foram transparentes. Criaram uma expectativa e tangibilizaram na entrega.

Se a intenção era fidelizar, conseguiram. Valeu cada quilo engordado!

PS: Sem contar no capricho das lembrancinhas entregues no dia da inauguração. Vejam detalhes:

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Da série promoções que não te enganam:

Promoprêmio – LG Top Mount

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Em maio deste ano fiz uma viagem bacana, que há tempos desejava fazer. Peguei meu filho, meu marido e fomos passar 4 dias no Beach Park, em Fortaleza. Qualquer pessoa que conheço ficaria ansiosa para o dia da viagem chegar o mais rápido possível. Porém, como meu modo “pessoa normal” veio com defeito, eu rezo para que os dias passem o mais lentamente possível.

A razão disso tudo? O maldito avião. Conforme a data da viagem se aproxima, mais agonizante é o meu desespero. Desta vez até sonhei com meu falecido avô me recepcionando no céu.

Chega a data de partida. Aeroporto cheio de gente, e eu na fila para despachar as malas. Observo cada rosto presente no local. Aguardo a chamada para embarque como se estivesse esperando minha sentença no corredor da morte. Meu coração vai a mil, minha atenção se dispersa para vários pontos daquele monstruoso meio de locomoção. Como uma vez disse o poeta Vinícius de Morais: “O bicho é mais pesado que o ar e o motor, a explosão. Ainda por cima, inventado por um brasileiro? Não pode dar certo.”

Procuro por minha poltrona. Nela, tento permanecer confortável. O avião começa a taxiar pista afora e passo a guarda do meu filho imediatamente para o pai. Ligo o Ipod, companheiro de todas as horas, no volume máximo. Rezo…pra Deus, Oxalás, Buda, Allah, Cabala. Todas as divindades são acionadas por um único pedido: por favor, não caia!

Cronometro no relógio os 15 minutos críticos do início do vôo (pra quem não sabe, esse é o tempo que leva para o avião se estabilizar no ar). Já no décimo sexto minuto toda a aflição some, como em um  passe de mágica, e assim vai até os 15 minutos que precedem o pouso. Em terra firme, agradeço a todos os deuses por terem poupado o meu avião. Bora aproveitar a viagem!

No parque, desço toboáguas de 41 metros de altura, em uma queda livre de 105 km por hora. Medo? Zero! E assim passam-se os dias, na maior folia e adrenalina possível. Esqueço por um momento que uma hora terei que desafiar a gravidade novamente, ao voltar para o mundo real.

No fim da viagem, já no aeroporto, tenho 230 fotos para colocar no computador, um bronzeado bacana e muitas histórias para contar. Penso no vôo, e me sinto um pouco mais confiante do que antes. Curiosamente, visto uma camiseta que leva os dizeres: “Eu Sobrevivi” (referente a queda de 41 metros do Insano, o toboágua). Meu marido saca exatamente o que estou pensando e, ironicamente, diz: “- Desta queda vai ser mais difícil se safar, né?”

E começa tudo de novo.

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